Acesse o relatório pelo link: https://bit.ly/contratos-big-techs
Este estudo mergulha nas relações entre grandes empresas de tecnologia e o Estado brasileiro, revelando como a soberania digital e o interesse público estão sendo negociados (ou colocados em risco) por trás de códigos e acordos tecnológicos.
As Big Techs são um grupo concentrado de atores globais que controlam parcelas significativas da infraestrutura digital, dos fluxos de dados e da lógica algorítmica que organiza a informação no mundo. Sua atuação é marcada por verticalização de serviços, opacidade contratual e evasão fiscal.
Isto as torna agentes não apenas econômicos, mas também políticos, com capacidade de moldar padrões técnicos, definir normas de conduta e influenciar decisões estratégicas de governos.
Qual é o impacto disto sobre o Estado brasileiro?
O trabalho apresenta dados que ilustram a dependência do Brasil em relação a
grandes fornecedores internacionais de tecnologias, mostrando seus impacto negativo na autonomia tecnológica e na soberania digital brasileira.
A pesquisa utilizou cinco fontes oficiais de dados públicos para mapear contratações tecnológicas no setor público brasileiro entre 2014 e 2025. Os dados evidenciam o tamanho desta dependência tecnológica, explorando os valores bilionários que o Estado brasileiro gasta nas compras públicas na área de tecnologia da informação.
Em vez de investir no fortalecimento da indústria nacional de software, na formação de mão de obra qualificada ou no desenvolvimento de soluções abertas e interoperáveis, o país opta por contratar produtos prontos, ofertados por grandes corporações estrangeiras, especialmente pelas chamadas Big Techs. Essa opção não pode ser colocada na conta de um único agente ou governo: trata-se da continuidade de uma tendência histórica que vem dos primórdios do uso de tecnologia da
informação pelo Estado brasileiro.
As condições de subordinação, dependência tecnológica e as práticas que as sustentam tornaram-se naturalizadas. São aceitas pelos sucessivos governos, nos três níveis da federação, pelos três poderes, pela sociedade em geral. Fazem parte das estruturas mentais de boa parte dos
técnicos e gestores públicos de tecnologia. Boa parte das lideranças políticas sequer percebe o problema. E, de certa maneira, essa dependência tecnológica mascara interesses, nem sempre explicitados, nem sempre deliberadamente perseguidos.
A partir dos dados apresentados, é inevitável nos perguntarmos:
- Como algoritmos, contratos e infraestruturas digitais estão moldando o presente e o futuro das políticas públicas no Brasil?
- Quem está no controle quando o Estado depende de infraestruturas privadas para funcionar?
- O que aconteceria se uma parte significativa destes valores gastos fossem transformada em investimentos em tecnologia nacional? Quem ganharia e quem perderia com isto?
Equipe de pesquisa:
- Ergon Cugler de Moraes Silva
- Isabela Rocha
- José Carlos Vaz
- Julia Ribeiro de Almeida Veneziani
- Camila de Camargo Modanez
Acesse o relatório pelo link: https://bit.ly/contratos-big-techs
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