Eleições parlamentares no Brasil: o uso do twitter na busca por votos, MARCELO S. AMARAL e JOSÉ A. G. de PINHO (2018)

Em vista das eleições presidenciais e parlamentares de 2018 no Brasil, notou-se que a utilização de redes sociais, a exemplo do Facebook, Twitter e Whatsapp, foi grande e de extrema importância para eleição de algumas figuras políticas. Contudo, este uso não é algo recente, assim como é possível observar no artigo base desta resenha. 

O texto dos autores, Amaral e Pinho (2018), retrata o cenário das eleições parlamentares de 2014, no qual, o ponto fundante para os autores, é a análise dos políticos que tiveram sua eleição impulsionada pelo uso da plataforma online, Twitter. Isto é, o objetivo era entender de que forma a plataforma foi utilizada, principalmente no período pré-eleitoral, para angariar votos e se de fato ela foi importante neste quesito (aumento do número de votos). 

Amaral e Pinho (2018) iniciam a abordagem explicitando o contexto brasileiro da época (favorável ao clientelismo e população apática à vida política), a fim de mostrar que este padrão pode-se manter na era digital, a menos que seja pensado em uma nova forma de integração democrática entre políticos e cidadãos. Ademais,  é interessante que eles retratam a “migração” dos políticos para o meio eletrônico, das redes sociais, uma vez que a população em geral já estava inserida naquele âmbito e que seria de grande valia para os políticos fazerem parte também, pois seria uma forma de angariar maior visibilidade, apoio, diálogo com seu eleitorado e até mesmo facilidade na prestação de contas. 

Após esse panorama geral,  os autores adentram no universo do Twitter em específico. Isto é, enquadra-se como uma “ferramenta de comunicação e interação”, em que, atualmente, é possível compartilhar desde informações que aconteceram no momento até notícias político-jornalísticas. Desse modo, na época de eleições, os candidatos podem usar essa rede social de curto espaço (limite de caracteres) para alguns de seus projetos ou visibilização de suas pretensões caso sejam eleitos. Para sua análise, Amaral e Pinho (2018), abordam o caso alemão, norte-americano e o brasileiro, sendo este último, o que foi analisado com maior grau de detalhamento. 

 O caso brasileiro em específico, reflete que, com o tempo, passou-se a usar mais a internet para promover campanha em período eleitoral, e a utilizá-la com uma exigência maior por informações. Ou seja, nestas determinadas épocas, é comum usar a internet para criar um site informativo sobre a candidatura, ou até mesmo uma página em alguma rede social para se aproximar da população. 

Além do que foi dito anteriormente, o texto ressalta que, em 2010, o twitter passou a ser visto como o elo que unia as outras redes sociais, isto pois, algumas notícias circulavam em algum sítio online e depois já viravam tópico de discussão dentro desta rede social. Segundo a autora, Natasha Pereira (2013), responsável por analisar o uso desta rede social com viés político na campanha de 2010, concluiu que esta foi uma forma dos políticos conquistarem o seu público (eleitorado) por meio de publicações mais intimistas.  

Também é interessante ressaltar que a obtenção dos dados foi realizada através da API (“Application Programming Interface”) do Twitter e contou com a análise de, aproximadamente, 594 congressistas distribuídos em oito categorias. Sendo elas, candidatos reeleitos, candidatos não reeleitos, candidatos a outros cargos, não candidatos, novos parlamentares, senadores candidatos que permaneceram, senadores não candidatos que permaneceram e, por último, candidatos que trocaram de cargo. Em que, grande parte dos resultados dessa pesquisa, caminharam para a confirmação da hipótese inicial de que, no período pré-eleitoral, os parlamentares que estão concorrendo tendem a utilizar mais as redes sociais e isso o traz maior popularidade e, por consequência, maior número de votos. 

Ademais, outro resultado importante é que os autores desenvolveram três perfis de comportamento. Sendo eles, comportamento dos políticos com pretensões eleitorais (são os que mais usufruem do âmbito digital e que conseguem mais atenção), comportamento dos políticos em exercício regular (as publicações dos eleitores já mostraram o caminho do resultado da eleição) e, comportamento dos políticos que estavam para se afastar da atividade política (alheio ao processo eleitoral e ao uso das redes sociais); os quais também possibilitaram confirmar a hipótese inicial. 

Portanto, a partir do que foi visto anteriormente e que pode ser lido com maior grau de aprofundamento através da leitura do artigo na íntegra (disponível logo abaixo), notou-se que há uma utilização do Twitter -principalmente pré-eleição- pelos parlamentares e que o faz a fim de obter votos. Desse modo, aqueles políticos que conseguem se apropriar da melhor forma desse sítio online, conseguem alcançar seus objetivos eleitorais melhor do que aqueles candidatos que não a utilizam, contudo, os autores frisam que as redes sociais ainda não são imprescindíveis para o sucesso político eleitoral e sim uma forma de impulsioná-lo. 

REFERÊNCIAs BIBLIOGRÁFICAS

  • AMARAL, Marcelo Santos; PINHO, José Antonio Gomes de. Eleições Parlamentares no Brasil: O Uso do Twitter na Busca por Votos. Rev. adm. contemp., Curitiba , v. 22, n. 4, p. 466-486, Aug. 2018 . Available from<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-65552018000400466&lng=en&nrm=iso>.
  • PEREIRA, N. B. (2013). Sob o piado do Twitter: O novo tom das campanhas eleitorais com a difusão da internet no Brasil (Dissertação de mestrado). Curso de Mestrado em Ciências Sociais, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil. 

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