A internet e os novos processos de articulação dos movimentos sociais, SERRA JUNIOR e ROCHA (2013)

A ideia central do artigo é delimitar de que maneira os avanços tecnológicos do presente influenciaram na forma de mobilização da sociedade civil, em decorrência das facilidades de plataformas multimídias online, como é o caso do Facebook, Youtube e Twitter, além de ressaltar os obstáculos, enfrentados ainda hoje, durante esse processo. Deste modo, as novas tecnologias da informação e comunicação (NTICs) auxiliaram na expansão das ideias dos movimentos sociais, como por exemplo, as jornadas de Junho de 2013 no Brasil e a Primavera Árabe no Norte da África e Oriente Médio, no ano de 2011; entretanto, as NTICs não deixaram de ser instrumentos desenvolvidas no mundo globalizado, logo, com influência capitalista.  

  Tal conexão e expansão de conteúdos ocorre devido à grande quantidade de pessoas que estão conectadas à internet por meio de dispositivos móveis, como é o caso dos smartphones e notebooks, tornando-se uma das maneiras mais práticas de interação entre os usuários, porém, ao mesmo tempo, sendo quase impossível de se controlar as informações propagadas. Isto quer dizer que há uma “difusão irrestrita de informações em formato multimodal, em que os recursos de mídia integram código, texto, som e imagem. Desta forma, é difícil impedir que qualquer pessoa ou instituição crie novos sites, portais e soluções computacionais” (JUNIOR; ROCHA, 2013). 

  A partir dessa nova forma de interação multimodal, podemos observar aspectos positivos, como por exemplo, expansão da democracia participativa, uma vez que as pessoas podem utilizar a internet para denunciar algo que aconteceu em determinado bairro (Webdenuncia); assim como o Gabinete Virtual, aplicativo criado em 2011, que permite que uma comunicação mais direta entre a sociedade e o político, e, também, o sítio online, E-SERGIPE, que desempenha função semelhante ao anterior.  Assim sendo, a internet se torna um espaço mais amplo para que haja maior integração entre coletividades, sobretudo no quesito político-participativo, isto é, tornando-se “uma nova forma de democracia direta em grande escala”, como pontua o autor Pierre Lévy em, “A inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço” (LÉVY, 2011). 

  Entretanto, destacam-se também, a existência de aspectos negativos que, em grande parte, se relacionam com o fato de que a mão de obra humana é tida como apenas um mediador para com as máquinas, isto quer dizer que, o trabalho humano passa a ser visto como subalterno à estas, logo, sem tanto prestígio, dispondo como possibilidades tangíveis, cortes de pessoal nas empresas e redução de investimentos em melhorias nas condições de trabalho do servidor. 

 Além dos fatores citados anteriormente, o artigo pincela tópicos interessantes sobre os algoritmos na internet, pois através deles torna-se concebível controlar o que as pessoas acessam ou deixam de acessar. Tal fato é visto como um modo de oferecer mais poder ao governo e às agências capitalistas, em virtude da possibilidade de exercer seu poderio de exibição dos conteúdos de mídias sociais em benefício próprio. Dispondo disso, nota-se que a “sociedade da informação é uma sociedade de classes” (JUNIOR; ROCHA, 2013). Veja, as mesmas pessoas que controlam os recursos financeiros, também controlam os conteúdos que serão exibidos digitalmente, mas sempre buscando passar a ideia de que há uma sociedade transparente e consensual (CHAUÍ, 1997). 

  Um último tópico a ser tratada antes da conclusão da atual resenha, baseia-se na importância, ressaltada pelos autores ao longo do texto, da internet para mobilização da sociedade civil, mas delimitando, ao mesmo tempo, que para que as mudanças ocorram de fato é preciso ir às ruas (“luta de classes”) e reivindicar alterações na estrutura do sistema atual de dominação. Visto que, as novas tecnologias de informação e comunicação não deixam de ser fruto de um sistema capitalista, cuja tendência é prevalecer os interesses de quem detêm o capital.  

  Em fins conclusivos, as novas tecnologias de informação e comunicação (NTICs), abordadas ao decorrer do artigo, são relevantes na nova era digital, pois são ferramentas essenciais para os desafios quanto ao processo organizacional, tático e estratégico. Contudo, fica evidente que a internet não é a fonte principal para que os movimentos sociais se mobilizem contra determinada situação, em decorrência da possibilidade de ser um aparato de dominação e exploração capitalista. Logo, o artigo delimita que um dos principais desafios permeia o âmbito de como se dará a consolidação dessas redes de mobilização digital, de forma que seja capaz de construir e recriar utopias, impulsionar a ação coletiva e política contra-hegemônica, no que tange às diversidades e à intervenção anticapitalista (JUNIOR; ROCHA, 2013). 

                                                  Referência Bibliográfica

CHAUI, M. de S. Cultura e democracia: o discurso competente e outras falas. São Paulo: Cortez, 1997.

LÉVY, P. A inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço. Tradução de Luiz Paulo Rouanet. São Paulo: Loyola, 2011.

SERRA JUNIOR, Gentil Cutrim; ROCHA, Lourdes de Maria Leitão Nunes. A Internet e os novos processos de articulação dos movimentos sociais. Rev. katálysis, Florianópolis ,  v. 16, n. 2, p. 205-213,  Dec.  2013 . Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-49802013000200006&lng=en&nrm=iso>.

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