O Crime do Restaurante Chinês: Carnaval, Futebol e Justiça na São Paulo dos anos 30 (Resenha)

Provavelmente, você já estudou, em algum momento da sua vida, a movimentada década de 1930. Assim como em boa parte do mundo, no Brasil ocorreram grandes mudanças politicas e sociais, em parte decorrentes da chegada ao poder do gaúcho Getúlio Vargas, em outra parte pela complexa e belicosa conjuntura mundial do período.


Por Lucas Bravo Rosin, para o Leituras Quase Obrigatórias


Informações do texto
Autor: Boris Fausto
Idiomas: Português
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Em São Paulo, particularmente, esta década possui grande peso para sua história. Em 1932, o estado se rebelaria contra a União, culminando na revolta constitucionalista; a dura derrota custaria caro ao orgulho paulista. Ainda assim, o povo se agigantava ao bradar o estado como “a locomotiva da nação”.

Por esses motivos, a sugestão de hoje é esta intrigante obra do Professor Bóris Fausto. Tal como em outras sugestões, é possível que você já tenha tido algum contato com outras boas obras – porém mais teóricas – do autor. No entanto, este livro possui a leveza de um romance e a consistência de uma investigação científica.

Fausto lança mão de suas memórias de vida para remontar um famoso caso de assassinato do período: dois imigrantes chineses, proprietários de um restaurante na praça da Sé, e dois funcionários, um lituano e um brasileiro nordestino, são assassinados a golpes de pilão durante a madrugada de uma noite de carnaval, em 1938. Partindo desse intrincado quebra cabeças multiétnico, surge um debate fortuito sobre questões raciais que até hoje seguem atuais.

Repleto de imagens da época, o livro é um convite para estabelecer contato com os costumes paulistanos e a riqueza cultural da época. Já naqueles tempos, São Paulo se habilitava como uma cidade cosmopolita. Nesse sentido, o crime explorado pelo autor envolve desde as festividades carnavalescas até os conflitos étnicos. Se valendo de um modelo analítico chamado “micro história”, Fausto procura contemporizar o processo investigativo com as dimensões sociais, politicas e culturais.

Desta forma, o autor explora as relações e os hábitos culturais dos migrantes e imigrantes que vinham se estabelecendo em São Paulo desde a virada do século, as relações de orgulho entre os povos, as disputas e os preconceitos. Destaque para o carnaval de 1938 e da copa do mundo do mesmo ano – no qual brilhará Leônidas, o “Diamante Negro” – eventos que tem relação próxima com o desfecho do caso policial. Com essa estratégia de análise, o autor promove uma interessante reconstrução do processo criminal e, por conseguinte, do universo de crenças, valores e ideias que constituíam o debate cientifico da época. Devido a narrativa leve e envolvente, e da conectividade entre texto e contexto, imagens e documentos oficias o livro é fácil de ser lido, até para aqueles que não gostam de ler. Ficou curios@? Pois então, a dica está dada!

Referência

FAUSTO, Boris. O crime do restaurante chinês: carnaval, futebol e justiça na São Paulo dos anos 30. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. 246p.

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